Para refletirmos !! Uma passagem de Peter Brook

setembro 30, 2009 at 1:53 pm (Uncategorized)

Um corpo destreinado é como um instrumento musical desafinado, em cuja caixa de ressonância há uma barulheira confusa e dissonante de ruídos inúteis, impedindo a audição da verdadeira melodia. Quando o instrumento do ator, seu corpo, é afinado pelos exercícios, desaparecem as tensões e os hábitos desnecessários. Ele fica pronto para abrir-se às ilimitadas possibilidades do vazio. Mas há um preço a pagar: diante desse vazio desconhecido surge, naturalmente, o medo. Até mesmo um ator de larga experiência, sempre que vai retomar seu trabalho, quando se vê na borda do tapete sente esse medo voltar – medo do vazio dentro de si mesmo e do vazio no espaço. Imediatamente, ele trata de preencher o vazio para livrar-se do medo, tentando achar alguma coisa para dizer ou fazer. Sentar-se imóvel ou ficar quieto requer muita coragem. A maioria das nossas manifestações exageradas ou desnecessárias provêm do pavor de não estarmos realmente presentes se não avisarmos o tempo todo, de qualquer jeito, que de fato existimos. Isso já é um grande problema no dia-a-dia, em que pessoas nervosas e descontroladas podem nos infernizar a vida; mas no teatro, onde todas as energias devem convergir para o mesmo fim, a capacidade de reconhecer que se pode estar totalmente “presente”, embora aparentemente sem “fazer” nada, é fundamental. É importante que todos os atores reconheçam e identifiquem tais obstáculos, que neste caso são naturais e legítimos. Se perguntamos a um ator japonês sobre meu modo de atuar, ele admitirá que já enfretou e superou essa barreira. Quando atua bem, não é porque elaborou previamente uma composição mental, mas sim porque criou um vazio livre de pânico dentro de si.

BROOK, Peter. A Porta Aberta. p. 18

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Charles Baudelaire-Beleza

setembro 26, 2009 at 5:57 pm (Uncategorized)

Vens do fundo do céu ou do abismo, ó sublime
Beleza? Teu olhar, que é divino e infernal,
Verte confusamente o benefício e o crime,
E por isso se diz que do vinho és rival.
Em teus olhos reténs uma aurora e um ocaso;
Tens mais perfumes que uma noite tempestuosa;
Teus beijos são um filtro e tua boca um vaso
Que tornam fraco o herói e a criança corajosa.
Sobes do abismo negro ou despencas de um astro?
O Destino servil te segue como um cão;
Semeias a desgraça e o prazer no teu rastro;
Governas tudo e vais sem dar satisfação.
Calcando mortos vais, Beleza, entre remoques;
No teu tesoiro o Horror é uma jóia atraente,
E o Assassínio, entre os teus mais preciosos berloques,
Sobre o teu volume real dança amorosamente.
A mariposa voando ao teu encontro ó vela,
“Bendito este clarão!” diz antes que sucumba.
O namorado arfante enleando a sua bela
Parece um moribundo acariciando a tumba.
Que tu venhas do céu ou do inferno, que importa,
Beleza! monstro horrendo e ingênuo! se de ti
Vêm o olhar, o sorriso, os pés, que abrem a porta
De um Infinito que amo e jamais conheci?
De Satã ou de Deus, que importa? Anjo ou Sereia,
Se és capaz de tornar, – fada aos olhos leves,
Ritmo, perfume, luz! – a vida menos feia,
Menos triste o universo e os instantes mais breves?

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A improvisação de ontem a noite…

setembro 26, 2009 at 3:57 pm (Uncategorized)

Oi bonitos!!

Acordei hoje lembrando de um texto teatral que um amigo fala muito, “Os cegos” de Michel de Ghelderode.

Achei pertinente postar a obra que inspirou Michel a escrever o texto! Viagem, façam relações, e se tiverem curiosidade leiam o texto teatral, deve ter na biblioteca da Escola de Teatro da Ufba!!!!

beijos

Lilih

bruegel- os cegos

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Sobre a EXPERIÊNCIA de andar bem devagar!!!!! Abaixo algumas impressões:

setembro 25, 2009 at 7:46 pm (Uncategorized)

A experiência vivenciada na aula da sexta feira foi diferente, muito interessante. Foi possível olhar de forma diferente a contrução, identificando detalhes antes não observado. Acabei realizando leitura dos avisos que se encontram nas portas, olhei as pessoas com mais calma, observei o que elas fazem quando fora das salas, achei fantástico. Alguns instantes achei que demorou demais, pois não tinha muito o que explorar, fiquei torcendo para acabar e entender qual o objetivo.

(Sueli)

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Átomo, fluxo, fluido, euforia, agitação
Passa dia, entra noite
Um piscar de olhos na velocidade da luz
Depressa, já é hora!
Carimbo URGENTE.
Monida de controle remoto
aperte o PAUSE, depois SLOW
De dentro, uma porta estreita
De fora, o universo desconhecido
Apresento-lhe extintores de incêndio, câmeras de segurança
olhares curiosos, interrogações
Em meu estado apático
Sussurro de informação (tente mais lentamente!)
Calafrios nas vísceras, a velha borboleta voltou a se apresentar.
Aperta o (FF) preciso chegar em meu ponto final!
O corpo sedentário iniciou sua transgressão
Seres observadores, semblante de curiosidades
Corpo em exaustão.

(Vanessa Ribeiro de Souza)

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Passo a Passo!

A atividade de andar de forma vagarosa foi um dos fenômenos de pesquisa do “indivíduo” mais cruel que participei, nem as intermináveis palestras de minha igreja [que detonava meu psicológico], me fez perceber quem sou, onde estou, aonde vou, como vou, meus limites, atenção, postura, autocontrole, eu percebi que meu corpo não é dominado por mim, por muitas vezes eu tropecei na minha “lentidão” (como parar um corpo globalizado em plena sexta-feira a noite?)… Pois é foi sinistro.

Foi assustador perceber as pessoas agitadas ao meu lado e não poder ser “normal”, me senti um “deficiente”, um marginalizado ou talvez um subversivo dos “normais”… foi curioso… Vi-me no filme “Ensaio sobre a cegueira”, baseado na obra de Saramago. Foi quase um colapso total dos humanos, o limite de controle, o fim do poço, a reeducação de um comportamento criado para ser ágil, o adestramento em estágio avançado. Foi “rápido e caceteiro” na fusão dos sentimentos, algo muito próximo ao “CORE 2 DUO”. Indico essa experiência a todos os mortais em fase de degeneração cotidiana… Foi lindo!

É MUITA AUDÁCIA MINHA QUERER ENTENDER LENINE, DIRIA QUE EU “PERCEBO” O QUE ELE TRANSMITE NESSA MÚSICA… FANTÁSTICO!

Paciência – Composição: Lenine e Dudu Falcão

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára…
Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara…
Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência…
O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência…
Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara…
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não…
Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara…
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida é tão rara
A vida não pára não…
A vida não pára!…
A vida é tão rara!…

(Jacson Espírito Santo)

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Fazer uma matéria como essa de laboratório está sendo muito gratificante. A escolha foi feita pelo título, Laboratório de criação. Uma surpresa. Em lugar de livros, fórmulas e análises de casos para se ter pistas para o acesso a criatividade, veio um trabalho voltado para o conhecimento do corpo.
Logo no primeiro momento gostei da idéia, achava que poderia ser um momento lúdico dentro da faculdade, mas no meu caso está sendo uma oportunidade de movimentar o corpo, pois passo pelo menos 12h sentado na frente do computador ou desenhando. Como pretendo trabalhar com animação gráfica de personagens, acredito que será possível entender mais do meu corpo e do corpo do ser humano em geral, para poder
Tenho observado uma evolução gradual individual e da turma enquanto grupo. As células desenvolvidas pelos colegas também puderam demonstrar o ganho desse ponto de vista diferente em relação ao corpo e ao movimento. Alguns colegas que já trabalham com dança por exemplo tiveram que quebrar sua estética, sincronia e ritmo para sentir a possibilidade de uma disritmia, de um movimento não coordenado e livre. Da mesma forma que outros que não tinham proximidade prévia com dança ou atividades que exigem do corpo puderam se libertar, perder a timidez e propor algo para o grupo.
O método e a conduta das professoras também está sendo fundamental para as conquistas individuais e do grupo. A reflexão coletiva das atividades propostas e do que é produzido ao final de cada aula, ao meu ver, faz com que os alunos se sintam cada vez mais à vontade e estimulados para produzir. Também gosto da postura em sala mostrando que o conhecimento é um caminho em duas vias. Desta forma fica claro que o professor é muito mais um orientador do que alguém que está em um pedestal, dono da verdade.
(Camilo Cunha)

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A principio, a realização do exercício surge como um grande desafio, desafio esse que estava diretamente ligado às nossas limitações, frustrações e medos.
Após as orientações passadas pelas professoras, logo senti um grande receio em sair daquele espaço (sala) e ficar exposto a todos os olhares, correndo o risco de ser taxado como “louco”. Aproximando-me cada vez ver mais da porta, minha vergonha e a vontade de desistir, só aumentavam.
Consegui. Em um primeiro momento, fiquei muito travado, pois achei que todos aqueles olhares só direcionavam-se a mim. Entretanto no decorrer do exercício consegui corresponder à verdadeira proposta. Encontrei então ali um equilíbrio não só corporal, mas principalmente psicológico.
Com isso, considero então essas “dinâmicas” como elementos de extrema importância na nossa redescoberta enquanto seres humanos, ou seja, podemos perceber o nosso espaço em outro tempo, tempo este que quase nunca temos diante de tanta globalização e tecnologia; podemos também reparar mais o outro, os seus movimentos, etc.
Por fim, a experiência que obtivemos por meio deste exercício revela-nos a importância de nos permitirmos vermos a vida de outra maneira, em um outro ritmo.

(Vinícius Guilherme De Almeida Oliveira)

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Para mim, a dinâmica de andar em câmera lenta foi um pouco não muito agradável logo no começo, pois me senti um pouco envergonhado no começo da dinâmica com as pessoas que estavam no corredor, mas ao longo do exercício eu notei que tudo foi fluindo naturalmente.
Eu pude observar o jeito que eu me movimentava na malemolência, o jeito que meus pés tocavam o solo, sentia cada dedo dos pés tocando um a um até chegar ao calcanhar e eles ficarem totalmente espalmados no solo frio e empoeirado. Também pude notar os outros colegas, os movimentos, as expressões de cada um e também as pessoas que nos assistiam e ficavam meio que se perguntando o que estávamos fazendo; inclusive no momento que eu passei na frente da sala ao lado, os alunos apresentavam um seminário e todos pararam para nos observar e até abriram a porta para entender o que estava acontecendo ali.
Depois no segundo momento que foi um dos mais interessantes na minha opinião pelas cenas que apresentamos, inclusive me surpreendi comigo mesmo, pois conseguir vencer um desafio de poder fazer minha performance sem a música que para mim seria fundamental, mas que agora eu já consigo enxergar com outros olhos.
Contudo, esses dois momentos da aula de ontem, foi como um curso de “Extensão” para nós, tendo como ponto principal a idéia de alto monitoração de seus movimentos, e a idéia de localização de espaço/tempo.

(Daidimacs Sivla)

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Relatório de aula 18/09/2009

setembro 19, 2009 at 3:03 pm (Uncategorized)

Laboratório de praticas artísticas

No primeiro momento da aula pude experiênciar o quanto fazemos as atividades do dia automaticamente, deixando passar dentre os nossos olhos pequenas coisas que se  tivéssemos um pouco mais de atenção perceberíamos com facilidade, ex: não tinha noção que no paf III havia um sistema interno de monitoramento através de câmeras de segurança ou sequer tinha deixado de perceber a presença de extintores.

Serviu também para perceber o quanto é importante essa nossa relação com o solo, que segundo os orientais é de onde vem a nossa força, como podemos andar sem sentir os passos, sem sentir as contrações que fazem os músculos da perna, sem sentir a tensão gerada por nossa massa corpórea aos joelhos, resumindo sem sentir nosso próprio corpo como objeto de vida que está associado a cada membro em particular.

O espaço se torna muito mais liso “amplo” quando realizamos os nossos movimentos diários juntamente com a nossa percepção de territorialidade, o quanto o espaço geográfico tem a nos oferecer enquanto construção de subjetividade.

Já na segunda parte da aula fiquei absolutamente impressionado como o talento dos meus colegas em improvisar e expressar aquilo que pensa e sente, tanto através do corpo como da fala. Ontem de verdade pude perceber o laboratório de práticas artísticas.

Danilo Umbelino

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Hello world!

setembro 19, 2009 at 2:54 pm (Uncategorized)

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