REFLEXÃO – Na praça da piedade

novembro 6, 2009 at 8:17 pm (Uncategorized)

Rogos de piedade rondam a praça
Um local que não oferece nenhum tipo de comodidade,
Porém há os que a habita.
A corrente de aprisionamento soava mediante ao silêncio do desconhecido,
As lembranças do passado, onde nada mudou,
Olhares de súplicas, de julgamento, de malícia outros serenos.
Tal desconforto constantemente estava a me rodear; visualmente e, principalmente, inconsciente.
Células mutáveis que ao se dispersarem tornam-se fragmentos incomodados
Em união, parcialmente ou totalmente, existe uma solidificação.
Reação física que gerou superação de cada um presente.
Somos membrana, citoplasma e núcleo, ou seja, célula, podendo existir de maneira independente e capaz de reproduzir-se.

VANESSA RIBEIRO DE SOUZA

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Aula realizada ao vigéssimo terceiro dia do mês de Outubro na Praça da Piedade, Centro da Histórica Cidade do Salvador da Bahia.

novembro 6, 2009 at 8:01 pm (Uncategorized)

Caminhas solitário, Observas, concentra-te e ages para seres um todo.
Vai SER da ARTE, sente o que tem de mais sublime nesse lugar, as coisas, os cheiros, os que estão, os que se vão, os que se foram, as pessoas, as sujeiras, as belezas, as dores. Vejam as cabeças da praça, os Mártires e os martírios.
Os cansados descansam, os trabalhadores trabalham, os apaixonados namoram, o COLETIVO AZUL PROVISÓRIO faz PERFORMACE e por aí vai, cada um no seu ritmo, papel e resignação.
É uma praça grande meu Deus onde nos primórdios dessa ardilosa cidade homens que ali seriam enforcados, tinham seu último momento de clamar por PIEDADE.
A criança corre, o morador de rua arruma-se para dormir em seu predileto banco, os garis descansam da sua função de juntar as sujeiras dos transeuntes, a praça segue a sua dinâmica e nós caminhamos em busca do eixo entre a arte que reside dentro e a arte que o mundo nos oferece de fora para dentro.
A PIEDADE tem quatro entradas/saídas, é uma encruzilhada onde em cada portal podemos encontrar os enforcados guardiões da liberdade e os decapitados excluídos pela vida de verdade, os que na vida iniciam e os que se encontram na terceira idade.
– João de Deus filho de José e Francisca!
– MORREU, MORREU, MORREU, MORREU…
Cresci indo à Praça da Piedade com meus pais em seus movimentos políticos de esquerda. Entre discursos inflamados e vontade de mudar o mundo eu corria atrás de camaleões que também morreram. Vi os Poetas da Praça, recitarem seus poemas , palavras jogadas ao vento que lambiam os ouvidos de quem passava, esperava, sofria, amava. Já naquele tempo me causava muita angústia ver idosos e pedintes na rua, queria levá-los comigo, alimentar, cuidar, fazê-los novos e erguidos, e hoje eles renovam e erguem a mim.
É noite na Praça da piedade. Vejo dor, abandono, vejo um povo cansado e decapitado pelas faltas, ausências, angústias. Vejo amor nos casais que creio eu, gostariam de trepar no banco da praça, debaixo da árvore e tentam fundir-se ao ponto de confundirem-se conosco. São putas? São bichas? São loucos? Vejo um povo que inerte clama por “PIEDADE, PIEDADE AINDA QUE TARDIA”.
Naquele chão ainda POSSO LER os revolucionários panfletos de 1798 que continham as seguintes frases: “Povo que viveis flagelados com o pleno poder do indigno coroado, esse mesmo rei que vós criastes; esse mesmo rei tirano é o que se firma no trono para vos veixar, para vos roubar e para vos maltratar.”
E outro se lia: “Animai-vos Povo Bahiense que está por chegar o tempo feliz da nossa liberdade: o tempo em que todos seremos iguais”.
Eu sou um coletivo e esse coletivo se espalha pela praça fazendo arte.
O carrinho de café, o chafariz, as tristes estatuas européias seminuas que tentam se refrescar do calor, que tentam se livrar do mau cheiro, coitadas, vou cantar baixinho para elas. Vou Chamar atenção, vou tocá-las em suas expressões solitárias, vou pedir que nos dêem a atenção que os transeuntes fingem não dispensar a nós. E essas personificações que clamam que aguardam, que necessitam, mesmo cansados, mesmo alheios ao mundo ao seu redor se apossam do meu corpo, fazendo-o curvar-se, tornar-se cansado, dificultoso. São os idosos esquecidos, são os pedintes, são os clementes, os degolados, são os que sofrem pela fome de vida, de saber, de comida, as frutas que caem do pé verdes ainda.
Meus colegas são o meu Porto seguro, eles se espalham, concentram, transmitem, estimulam e eu ofereço-me e recebo-os como parte deste subjetivo todo que somos.
Ivana some
Cadê você?
Ivana reaparece
E a cada novo encontro nos enchemos da certeza que
Eu quero, tu queres e nós somos o COLETIVO AZUL PROVISÓRIO.

Muito Prazer
Iara Villanueva

A Piedade, na segunda metade do século XIX.

A Piedade, na segunda metade do século XIX.

Bandeira da conjuração Baiana
Abaixo: Bandeira da conjuração Baiana

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Distante de Tudo

novembro 6, 2009 at 7:32 pm (Uncategorized)

Vivo triste e isolada
Não sei ao certo por onde seguir
Penso, questiono, grito, choro, mas nada sai
Rejeito as experiências, pois não sei o resultado
Será que é certo?
Mas vou vivendo,
Caminhando,
Sofrendo,
Chorando.

Sueli.

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novembro 6, 2009 at 7:03 pm (Uncategorized)

Gostei muito. Pra mim foi uma grande oportunidade. Viceral.
Quando cheguei vi algumas pessoas se movimentando na praça, algumas olhando, algumas evitando. Precisava entender o que eu estava fazendo ali. Após examinar o lugar percebi que a praça é só uma parte de um contexto maior: sua história, o cotidiano das pessoas, as relações e conflitos que se estabelecem entre cidadãos X excluídos. A praça tem um objetivo de convergência e encontro de pessoas. A troca que é fruto desse encontro pode irradiar idéias e contaminar a cidade. Fazer aquela atividade foi como ser um corpo estranho na matrix. Na realidade é o artista que tenta sacudir, acordar as pessoas. Vamos sair da caverna mais vezes!

Camilo Cunha

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Sexta feira, 23 de outubro de 2009, e um diferencial.

novembro 6, 2009 at 7:00 pm (Uncategorized)

É coisa de maluco, é coisa de malucoco…
Assim cantava um transeunte que passa pela praça acompanhado de sua amada e percebia a minha tímida performance com Graciara.
Incomodar os casais com o espelho do que eles praticavam. Nossa intenção deu certo e um casal levanta e sai e junto com eles levam um pouco da timidez e da falta de iniciativa que estava contida em mim pelo fato de estar numa praça pública, suja, e sem motivação nenhuma de fazer aquela aula.
Partindo daí tudo começou a ficar mais fácil, interagir com aquele espaço que já tinha sido reconhecido ficou menos complicado e fui deixando fluir…
Comecei a relembrar as minhas partituras e aplicá-las naquele espaço, retomei o que tinha feito no Ihac e me senti mais livre para continuar fazendo minhas partituras e interagir com as situações que estavam se criando e se modificando.
Gritos, movimentos naturais, um skate, piedade, a praça o diferencial, ônibus lotado, uma mendiga cortando cuidadosamente as unhas de sua filha, neste momento queria eu, ter em mãos uma câmera para registrar esse momento, estes momentos vários, únicos que vi.
Enfim, não consigo mais descrever a experiência.
Ah, achamos a Ivana!

Adailton Nunes

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Expressões sobre 2 ausência + 9 presenças em = 11 encontros laboratoriais

novembro 6, 2009 at 6:56 pm (Uncategorized)

Piedade de nós por laborar arte na Praça da Piedade!
Sob o comando de explorar a praça a sós, em silêncio, observando os detalhes, começamos pedindo piedade.
Piedade por uma atenção política para a revitalização do centro da cidade do Salvador. Piedade pelo gramado sujo e fedido a urina. Piedade pela população sem educação. Piedade pela falta de consciência. Piedade!
Subi nos bancos e caminhando pelo gramado dos canteiros, uma surpresa sem espanto: um rato enorme e asqueroso. Por que os ratos nos causam repulsa? Será uma construção social ou será uma resposta natural às nossas imundices? Dos desenhos na grade que cerca a praça, havia desenhos de tantos animais, mas de nenhum rato. Senti falta da homenagem. Piedade para aqueles que sonharam a arquitetura da praça! Outra surpresa sem espanto: uma das estátuas era “DEFI”, com um braço amputado. Piedade para aqueles que causaram o ato de violência!
Piedade de nós por laborar arte na Praça da Piedade!
Mas o que a princípio parecia ser um martírio se transformou numa experiência única. A performance aconteceu a passos lentos, depois foi tomando mais ritmo com a nossa interação com os que passavam na praça e com os que namoravam ou descansavam em seus bancos. Várias foram as reações do público: estranheza, incômodo, envolvimento. Várias foram as sensações envolvidas nesse processo: a principal delas foi a entrega.
A criação aconteceu e foi muito gratificante estar em tal praça com esse propósito.
Ivana cadê você? Piedade de Ivana! Ela nunca havia laborado arte na Praça da Piedade! Piedade de nós porque fizemos somente o que podíamos?! Não. Orgulho de nós porque fizemos o que tinha que ser feito!
Vamos em frente sem piedade e com muito orgulho!

Graciara Oliveira Silva
25/10/09

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novembro 6, 2009 at 6:52 pm (Uncategorized)

Galera,
Nosso encontro de ontem marca o início de um coletivo audacioso, corajoso e que promete um trabalho muito consistente e verdadeiro. Muito além das pretensões espetaculares e glamurosas mostramos ontem que somos capazes de viver nossos desejos e colocá-los em prática na vida-arte.
Para mim a existência deste grupo transcende o lugar da disciplina e repercute também no meu fazer enquanto artista e educadora, acredito que este coletivo será o ponto de partida para muitos trabalhos e investigações futuras…Parabéns a todos pela vontade e coragem!!!

Longa vida ao Coletivo azul e de todas as cores!!!!!!!!!!!!!!
Beijos!
Carolina Teixeira

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Mais de VINÍCIUS – REFERENTE Á AULA DO DIA 23/10/2009

novembro 6, 2009 at 6:49 pm (Uncategorized)

“A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que passa, não o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece.”

Às vezes, devemos nos permitir a tais respiros (como citado pelo colega Jackson), para que possamos nos reorganizar, e colocar em pauta o que nos ocorre, discutindo então suas positividades e negatividades.
Considerei assim, de extrema importância o nosso momento de avaliação do nosso processo evolutivo (ou não), onde os colegas puderam expor seus sentimentos e melancolias em relação ao curso. Percebia-se nos mesmos, uma grande euforia e ansiedade na buscas de respostas, respostas essas, as quais só eles conseguiriam obter, ou que talvez nunca encontrem.

Podemos nos questionar também, se somos, e até que ponto somos artistas, as influências e benefícios do curso em nossas vidas tão corridas.

Foi colocada em pauta também a elaboração da nossa célula final. Surgiram então questionamentos como: onde apresentaremos? Pra quem apresentaremos? Qual será o tema?

Por fim, foi também proposto pelas professoras, que Max confeccionasse, alguns crookis, (já que tem tanta intimidade com o mundo da moda) para a então elaboração das roupas que serão utilizadas por nós na composição final.

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RELATORIO REFERENTE Á AULA DO DIA 23/10/2009 – VINÍCIUS OLIVEIRA

novembro 6, 2009 at 6:45 pm (Uncategorized)

Percepção visual: conhecimento do local extraindo uma riqueza dos detalhes, objetos…
Muitos encontravam-se ali diante de um grande desafio, “expor-se” aos olhares, pensamentos e críticas humanas.
Alguns sentam e observam o que existe, e o que se passa ao redor, de forma concentrada, buscando a sintonia ideal para o “início” da prática, Max, por exemplo, senta-se na estátua, Adailton e Ivana sentam-se nos bancos buscando um “isolamento”.
Em um segundo momento, há um encontro do grupo, após o termino da primeira pratica.
– Elis, Max, Adailton e Graciara realizam as células compostas anteriormente.
Em pares: Adailton e Graciara, Elis e Max envolvem-se (interagem) de forma cada vez mais concentrada, com muitos movimentos braçais, e uma interação com o espaço. Realizam uma espécie de dança (coreografia), onde um segue os movimentos do outro.
Elis e Max atingem um “climax” ideal, numa total interação entre seus corpos. O toque é fundamental.
Em um determinado momento, há uma inversão das “duplas”.
A performance do grupo, atrai os olhares da grande maioria das pessoas que ali estavam. Alguns gostam, outros não. Por exemplo, um casal que estava namorando por ali, sente-se incomodado, levantas-se e sai.
Ivana permanecia no mesmo lugar, agora tendo em mãos, cartazes que foram confeccionados por ela mesma.
Os grupos desfazem-se. Todos agora buscam movimentos individuais, novamente observando o espaço e a respiração. Fabrício então interage com as estátuas, envolvendo-as nos seus braços.
Iara realiza uma célula, curvando seus membros, e fazendo movimentos como se estivesse a pedir, suplicar algo.
Elis retoma sua célula da quebra dos movimentos naturais.
Agora, já totalmente envolvido no exercício, Camilo dá gritos, como se chamasse alguém, ou a atenção de alguém. Em seguida, pede carona para um vendedor de café, que passa na hora.
Max, Vanessa e Camilo utilizam o lago, realizando movimentos em cima do mesmo; pulando…
Fabrício, continua na sua interação com as estatuas, e Max realiza a célula de Elis (quebra dos movimentos naturais).
Elis evidencia nos seus movimentos a busca de uma liberdade.
– Interferência de skatistas na praça, que interagem (conversam), com alguns do grupo (Iara, por exemplo).
Camilo corre, dando voltas na praça, com Elis montada em seus ombros.
Iara dá gargalhadas e recita frases (“Piedade, ainda que tardia), enquanto corre de Fabrício e Elis, que abraçados exploram toda a praça.
Graciara realiza movimentos leves buscando uma suavidade, enquanto é filmada por Carol.
Novamente, todo o grupo se reúne. Formam uma fila e caminham, ate que encontram um rapaz que passa, e subitamente olha, e espantado tenta entender. O grupo, tenta então fazer com que ele interaja também.
Todos batem palmas, caminham e vaiam descoordenadamente.
Camilo e Adailton interagem com uma estátua e dizem pra a mesma:
– MORREEEEEEEEEEEU!
Max arrasta Vanessa, e se senta ao redor do lago, e ela se senta no seu colo, e os dois então se abraçam.
Iara projeta seus movimentos pra um pedido de piedade, e então interage com Carol.

Após o termino da realização da atividade, o grupo se reúne novamente; entretanto percebem a falta de Ivana, e então retomam a performance e saem gritando pela praça a procura dela.
– Ivana, cadê você? Você me deve R$2,00
– Ivana, não me deixe!
– Ivana, volta pra mim!
(…)
Ivana então, como se tivesse ouvido todos aquele gritos e chamados, reaparece para a discussão final, onde todos puderam expor suas emoções, e onde ficou evidenciado a forma com que o grupo ficou à-vontade para fazer aquela prática naquele espaço, muito mais do que na própria sala de aula, segundo os mesmos.

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Finalmente saiu alguma coisa – Fabrício da Silva Leal em 16/10/2009

novembro 6, 2009 at 6:01 pm (Uncategorized)

Tanto se falou, tanto se testou, tanto se experimentou, e não tinha saído uma idéia concreta do que seria realizado. Hoje resolvemos dar uma trégua às aulas de expressão corporal e atuação de células e partituras, e resolvemos sentar um pouco e ver o que foi trazido, o que foi aprendido, o que pode ser aperfeiçoado, até porque teremos que apresentar algo no final do semestre.

Mesmo não tendo a parte “física” da aula, foi muito proveitosa, pois tivemos a oportunidade de falar as coisas que estávamos sentindo, o que tínhamos absorvido, o que queríamos, nossas opiniões, enfim, uma conversa mesmo. Discutimos alguns detalhes sobre idéias para a apresentação como lugar, vestimenta das pessoas, acessórios de composição do local de apresentação, entre outros detalhes e idéias que foram surgindo.

Mas, além disso tudo, debatemos também sobre as aulas passadas, o que pode ser resgatado e o que possa vir a fazer parte de apresentação final, o que ficou para o aperfeiçoamento do nosso processo criativo, nossos desejos, medos, desgostos, gostos, foi um momento de desabafo mesmo.

Assim, poderemos ter uma idéia mais concreta do que foi pensado ao logo desse semestre, e que possamos transferir o que foi colhido nesse tempo, e o que possa vir a ser transformado em um belo espetáculo.

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